Fissura anal: quando a cirurgia está indicada?
Fissura anal crônica pode precisar de cirurgia quando o tratamento clínico falha. Conheça as técnicas disponíveis e saiba quando a cirurgia é a melhor opção.
Quando o tratamento clínico da fissura anal não é suficiente, a cirurgia pode ser a próxima etapa, e existem técnicas com perfis diferentes de risco e recuperação.
Dor intensa ao evacuar, sensação de corte na região anal e medo de ir ao banheiro. Esses são sintomas clássicos da fissura anal, uma pequena ferida no canal anal que pode causar grande desconforto.
Embora muitas fissuras melhorem com tratamento clínico, algumas evoluem para formas crônicas e passam a exigir outras abordagens terapêuticas — incluindo a cirurgia.
O que é a fissura anal
A fissura anal é uma pequena ferida na mucosa do canal anal. Ela costuma surgir após evacuação com fezes endurecidas, constipação, esforço evacuatório excessivo ou trauma local.
A dor ocorre porque a região possui grande quantidade de terminações nervosas. Quando há espasmo do esfíncter anal associado, a cicatrização fica prejudicada e a fissura pode se tornar crônica.
Quando o tratamento clínico é suficiente
Na maioria dos casos, o tratamento inicial da fissura é clínico e pode incluir:
- ajuste do funcionamento intestinal
- aumento da ingestão de fibras e hidratação
- pomadas específicas com ação relaxante e cicatrizante
- controle da dor
Quando tratada precocemente, a fissura aguda tem boas chances de cicatrizar sem necessidade de procedimentos adicionais.
Quando a fissura se torna crônica

Algumas fissuras não cicatrizam adequadamente e passam a apresentar:
- dor persistente ao evacuar
- espasmo do esfíncter anal
- crises recorrentes sem melhora duradoura
Nesses casos, o tratamento precisa ser reavaliado com um coloproctologista para definir a abordagem mais adequada.
Quando a cirurgia pode ser indicada
A cirurgia costuma ser considerada quando:
- a fissura não cicatriza com tratamento clínico após período adequado
- há dor persistente com impacto significativo na qualidade de vida
- existem crises recorrentes apesar das medidas conservadoras
O objetivo da cirurgia é reduzir o espasmo muscular e criar condições para que a ferida cicatrize adequadamente.
Técnicas cirúrgicas disponíveis

Hoje existem diferentes abordagens que podem ser utilizadas, com características e indicações distintas.
Esfincterotomia lateral interna
É uma das técnicas mais antigas e estudadas para fissura crônica. Consiste em uma pequena incisão no esfíncter anal interno, com o objetivo de reduzir a pressão local e permitir a cicatrização.
Apresenta boas taxas de resolução, mas requer indicação criteriosa pelo risco, ainda que baixo, de alterações na continência anal.
Fissurectomia
Consiste em abordar o leito da fissura para promover uma cicatrização adequada. Pode ser realizada por técnica convencional ou com o auxílio do laser.
A fissurectomia com laser pode oferecer:
- maior precisão no procedimento
- menor dano tecidual adjacente
- recuperação potencialmente mais confortável
Aplicação de toxina botulínica
É uma alternativa minimamente invasiva que atua relaxando o músculo esfíncter sem causar dano estrutural. Em muitos casos, pode evitar ou postergar a necessidade de cirurgia.
A escolha entre as técnicas depende da avaliação individual, incluindo características da fissura, histórico do paciente e preferências após orientação médica.
Vale a pena considerar a cirurgia?
Para pacientes com fissura crônica que impacta significativamente a qualidade de vida, a cirurgia pode representar uma melhora real e duradoura.
A decisão deve ser sempre individualizada e tomada em conjunto com o coloproctologista, considerando os riscos e benefícios de cada técnica disponível.
Dra. Ana Luiza Moraes Rocha
Médica Coloproctologista
CRM-PR 45351 | RQE 36221
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.