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ConsideraçãoPacientes

Plicoma anal precisa operar?

Plicoma anal nem sempre precisa de cirurgia. Saiba quando observar, quando a retirada pode ajudar e o que esperar da recuperação.

PorDra. Ana Luiza Moraes Rocha
5 min de leitura

O plicoma anal é benigno e muitas vezes pode ser apenas observado; a retirada entra em discussão quando sintomas ou dificuldade de higiene realmente afetam o dia a dia.

Muitas pessoas descrevem o plicoma como uma “pelinha” na borda do ânus e perguntam se precisam operar. A resposta mais comum é: não obrigatoriamente.

Antes de decidir, é necessário confirmar que a alteração é mesmo um plicoma e entender se existe fissura, hemorroida ou irritação ativa por trás do incômodo.

Ilustração de plicoma anal e cirurgia de remoção

O que é o plicoma anal?

O plicoma é uma dobra de pele na margem anal. Pode permanecer depois que a pele foi distendida ou inflamada, como ocorre em situações como:

  • trombose hemorroidária
  • crises de doença hemorroidária
  • fissura anal crônica
  • gestação e parto
  • irritação ou inflamação local repetida

Um plicoma confirmado é benigno e não se transforma em câncer. Contudo, nem todo caroço anal é plicoma. Verrugas por HPV, hemorroidas, abscessos e outras lesões podem ter aparência semelhante para quem observa em casa.

Quando não é necessário retirar?

Se não há dor, coceira, inflamação ou dificuldade de higiene, geralmente é possível apenas observar. O plicoma não precisa ser removido preventivamente.

Medidas simples podem ser suficientes:

  • manter as fezes macias
  • evitar esforço evacuatório
  • lavar com água e secar sem esfregar
  • evitar excesso de sabonetes, lenços perfumados e produtos irritantes
  • tratar a fissura ou hemorroida associada

A cirurgia cria uma ferida em uma região sujeita a atrito e contato com fezes. Quando o plicoma pouco incomoda, o desconforto da cicatrização pode ser maior que o benefício esperado.

Quando a retirada pode ser considerada?

A decisão pode fazer sentido quando há:

  • dificuldade persistente para realizar a higiene
  • retenção de umidade ou resíduos entre as dobras
  • coceira e irritação que não melhoram após corrigir outras causas
  • trauma repetido na pele
  • incômodo estético relevante para o paciente
  • necessidade de remover ou biopsiar uma lesão cujo diagnóstico não está claro

Incômodo estético também pode ser discutido, mas com expectativas realistas sobre cicatriz, pigmentação e formato final da região.

Primeiro é preciso tratar a causa associada

Remover a dobra de pele sem controlar uma fissura ativa, constipação ou inflamação pode prolongar a dor e favorecer novas alterações.

Na avaliação, o coloproctologista procura responder:

  • existe fissura anal ainda aberta?
  • há hemorroida externa ou interna sintomática?
  • a coceira vem do plicoma ou de dermatite, umidade ou higiene excessiva?
  • o funcionamento intestinal está traumatizando a região?
  • a lesão tem aspecto típico ou precisa de investigação?

Essa etapa evita uma cirurgia que não resolveria a causa real do sintoma.

Como é a cirurgia para retirar o plicoma?

O procedimento remove a pele excedente preservando o canal anal e o esfíncter. O tipo de anestesia e o local da cirurgia variam conforme número, tamanho, posição das dobras e tratamentos associados.

Os instrumentos podem incluir:

  • bisturi ou tesoura cirúrgica
  • eletrocautério
  • laser de CO₂

O laser de CO₂ permite corte e coagulação precisos, enquanto técnicas convencionais também são seguras quando bem indicadas. Há pouca evidência comparativa específica para plicomas anais que permita prometer menos dor, melhor estética ou menor recorrência com um único instrumento.

Mais importante do que o equipamento é retirar apenas o necessário, preservar pontes de pele e planejar a cicatrização sem estreitar a abertura anal.

Como costuma ser a recuperação?

A região pode ficar sensível, inchada e apresentar pequeno sangramento ou secreção nos primeiros dias. Evacuar pode causar desconforto enquanto a ferida cicatriza.

As orientações podem incluir:

  • analgésicos prescritos
  • banho ou ducha para higiene, sem fricção
  • manter as fezes macias
  • curativo quando indicado
  • evitar esforço físico e atrito pelo período orientado
  • retornar para acompanhamento da ferida

Procure a equipe responsável se houver febre, dor em piora, sangramento importante, secreção com odor forte ou dificuldade para evacuar.

O plicoma pode voltar?

A dobra removida não “cresce de novo” da mesma forma, mas novas dobras podem se formar após inflamação, trombose, fissura ou cicatrização. Por isso, controlar constipação e doenças anais associadas continua sendo importante.

Perguntas frequentes

Posso cortar ou amarrar o plicoma em casa?

Não. A tentativa pode causar sangramento, infecção, queimadura ou atraso no diagnóstico de outra lesão.

Plicoma e hemorroida são a mesma coisa?

Não. O plicoma é pele excedente. A doença hemorroidária envolve estruturas vasculares do canal anal, embora uma trombose externa possa deixar uma dobra depois que melhora.

A cirurgia resolve a coceira?

Somente quando o plicoma é parte relevante do problema. Dermatite, umidade, infecções e higiene excessiva também causam coceira e precisam ser avaliadas.

É possível retirar mais de um plicoma?

Sim, mas a quantidade e a posição influenciam o planejamento. Retirar pele em excesso pode prejudicar a cicatrização e, raramente, estreitar a região.

Infográfico educativo sobre remoção de plicoma anal com laser de CO₂

A imagem é uma representação esquemática da técnica. O uso do laser não garante cicatrização mais rápida ou confortável: a recuperação varia conforme a extensão da retirada, a resposta individual e os cuidados pós-operatórios.

Fontes médicas

Conclusão

Plicoma anal não precisa de cirurgia apenas por existir. Quando dificulta a higiene, irrita de forma recorrente ou gera incômodo importante, a retirada pode ser discutida depois de confirmar o diagnóstico e tratar condições associadas.

Uma avaliação individualizada ajuda a comparar o benefício esperado com o desconforto da cicatrização e a escolher a técnica mais adequada, sem promessas de resultado.


Dra. Ana Luiza Moraes Rocha

Médica Coloproctologista

CRM-PR 45351 | RQE 36221

Especialista em Coloproctologia

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.

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Última atualização: 21/07/2026