Plicoma anal: por que ele aparece?
Por que aparece plicoma anal? Entenda as causas mais comuns, como fissura e trombose hemorroidária, e por que tratar a origem antes de retirar.
O plicoma anal costuma ser a “marca” de algo que aconteceu antes na região, como uma fissura ou uma trombose hemorroidária, e entender essa origem vem antes de qualquer decisão sobre retirar.
“Doutora, apareceu uma pelinha no ânus. Isso é hemorroida?”
É uma dúvida muito comum. Às vezes a pessoa percebe uma pequena sobra de pele no banho ou na higiene. Em outros casos, a “pelinha” já existe há anos, mas passou a incomodar porque dificulta a limpeza, causa coceira ou gera desconforto com a aparência.
Essa alteração pode ser um plicoma anal: benigno e, na maioria das vezes, sem risco à saúde. Mas antes de pensar em retirá-lo, existe uma pergunta importante: por que esse plicoma apareceu?

O que é um plicoma anal?
É uma dobra ou excesso de pele ao redor do ânus. Pode ser pequeno ou volumoso, único ou múltiplo, quase imperceptível ou grande o suficiente para dificultar a higiene.
Muita gente chama qualquer alteração da região de “hemorroida”, mas plicoma e hemorroida não são a mesma coisa. A hemorroida envolve os coxins vasculares do canal anal; o plicoma é predominantemente pele. Essa diferença muda o tratamento, e está explicada em detalhes em hemorroida ou plicoma: como saber a diferença.
Por que o plicoma aparece?
Em geral, o plicoma surge depois que a região anal passou por inflamação, inchaço ou cicatrização. As situações mais comuns são as seguintes.
1. Depois de uma fissura anal
A fissura anal é uma pequena ferida no canal anal. Quando se torna crônica, pode se formar uma alteração de pele na extremidade externa da ferida: o chamado plicoma sentinela.
Aqui existe um ponto importante: retirar só o plicoma não trata a fissura. Se há dor ao evacuar, sangramento ou história de fissura, é preciso saber se a doença ainda está ativa antes de discutir a retirada da pele. Veja a fissura anal pode cicatrizar sozinha?.
2. Depois de uma trombose hemorroidária
Na trombose hemorroidária externa, forma-se um coágulo dentro de uma veia da região anal, com aumento importante de volume, dor, inchaço e um nódulo endurecido.
Com os dias, o organismo reabsorve o coágulo e o inchaço diminui. Mas a pele que foi distendida nem sempre volta ao formato anterior, e pode ficar uma sobra. Ou seja: a trombose melhora, mas o plicoma permanece.
3. Doença hemorroidária de longa data
Quem convive há muito tempo com hemorroidas pode desenvolver alterações externas e excesso de pele ao redor do ânus. Nesses casos, antes de retirar o plicoma isoladamente, é preciso avaliar se ainda existe doença hemorroidária, principalmente quando há:
- sangramento
- prolapso durante a evacuação
- crises recorrentes
- sensação de volume
- dificuldade importante de higiene
Às vezes, o que incomoda por fora é só uma parte do problema. Veja hemorroida: quanto tempo dura e quando procurar médico.
4. Processos inflamatórios crônicos
Nem todo plicoma é uma alteração apenas estética. Algumas doenças inflamatórias, especialmente a doença de Crohn, podem produzir plicomas característicos na região anal.
Nesses pacientes, a avaliação precisa ser cuidadosa: retirar uma alteração de pele sem reconhecer a doença de base pode levar a dificuldade de cicatrização e complicações. Lesões atípicas ou múltiplas merecem investigação antes de qualquer procedimento. Saiba mais sobre as doenças inflamatórias intestinais.
5. Depois de cirurgias na região anal
Todo procedimento na região anal desencadeia inflamação e cicatrização, e nesse processo podem surgir irregularidades ou pequenas dobras de pele. Por isso, após uma cirurgia anal, é importante esperar a cicatriz amadurecer antes de concluir que existe um plicoma residual definitivo. O aspecto das primeiras semanas não é necessariamente o resultado final.
Nem toda “pelinha” é plicoma
Em geral, o plicoma é uma dobra de pele macia e relativamente estável. Já a doença hemorroidária pode ter sangramento, aumento de volume, prolapso, crises de inchaço e sintomas que variam com o tempo.
Outras alterações também podem ser confundidas com plicomas, incluindo lesões relacionadas ao HPV anal. Quando aparece uma lesão nova, principalmente se está crescendo ou mudando de aspecto, vale fazer uma avaliação.
Antes de pensar em retirar, entender a causa
Quando alguém procura o consultório querendo retirar um plicoma, a primeira pergunta não é “como vamos retirar?”, e sim “por que ele apareceu?”:
- se há fissura ativa, a fissura precisa ser tratada
- se há doença hemorroidária significativa, avalia-se tratá-la no mesmo planejamento
- se há constipação importante, o funcionamento intestinal precisa melhorar
- se o aspecto da lesão não é típico, o diagnóstico precisa ser confirmado antes da cirurgia
Isso evita tratar só o que aparece por fora enquanto a causa continua presente.
Todo plicoma precisa ser retirado?
Não. Se o plicoma não incomoda, não dificulta a higiene, não irrita e não interfere na qualidade de vida, não há obrigação de retirá-lo.
A retirada pode fazer sentido quando há dificuldade de higiene, coceira e irritação recorrentes, atrito ou incômodo estético importante. Quando existe indicação, a preferência da Dra. Ana Luiza é realizar o procedimento com laser de CO₂, pela precisão no controle da quantidade de pele retirada, sempre preservando pontes de pele saudável. Nenhum instrumento elimina a cicatrização nem garante um resultado.
Os critérios para operar, como é a cirurgia e o que esperar da recuperação estão em plicoma anal: vale a pena retirar? e em plicoma anal e cirurgia a laser.
O plicoma pode voltar?
O tecido retirado não “cresce de novo”. Mas novos plicomas podem surgir se os fatores que levaram ao primeiro continuarem presentes, como:
- novas tromboses
- fissuras recorrentes
- crises hemorroidárias
- inflamação persistente
Por isso, quando há uma causa identificável, ela também precisa fazer parte do tratamento.
Perguntas frequentes
Plicoma é hemorroida?
Não. O plicoma é uma dobra de pele. As hemorroidas envolvem os coxins vasculares do canal anal, embora as duas condições possam ocorrer juntas.
Plicoma pode virar câncer?
O plicoma típico é uma alteração benigna. Mas nem toda “pelinha” anal é um plicoma, por isso alterações novas ou atípicas devem ser avaliadas.
Por que apareceu um plicoma depois de uma crise de hemorroida?
Na trombose hemorroidária, a pele é distendida pelo inchaço. Depois que o coágulo é reabsorvido, ela nem sempre volta ao formato anterior e pode ficar uma sobra de pele.
Preciso operar um plicoma pequeno?
Não necessariamente. Se não causa sintomas nem incômodo, muitas vezes não há necessidade de tratamento.
O plicoma pode voltar depois de retirado?
O tecido retirado não cresce novamente, mas novos plicomas podem surgir se persistirem fatores como tromboses, fissuras recorrentes ou inflamação.
Fontes médicas
- Informações da ASCRS sobre hemorroidas e plicomas anais
- Orientação hospitalar sobre diagnóstico e tratamento de plicomas
- Toolkit da ASCRS para o manejo da fissura anal (2023)
Conclusão
O plicoma anal é benigno e, muitas vezes, é a marca de algo que aconteceu antes: uma fissura, uma trombose, crises de hemorroida ou um processo inflamatório. Tratar só a “pelinha” sem avaliar essas causas pode significar tratar apenas uma consequência.
Se você percebeu uma alteração de pele na região anal e não sabe se é plicoma, hemorroida ou outra lesão, uma avaliação com coloproctologista em Curitiba permite confirmar o diagnóstico e entender se existe necessidade de tratamento.
Dra. Ana Luiza Moraes Rocha
Médica Coloproctologista
CRM-PR 45351 | RQE 36221
Especialista em Coloproctologia
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.